Amanhã é dia de Geléia Moderna na Roquette Pinto FM (94,1 MHz). O programa comandado pelos DJs Brant e Jorge Lz, com o auxílio luxuoso da Srta. A - o mesmo trio do LapaLounge - vai ao ar a partir das 17h, tendo como convidados o ex-Barão Vermelho Dé Palmeira e Marcello Lacerda, do blog Monstro do Pântano. Nas picapes, Brian Wilson, Cold War Kids (foto), I'm From Barcelona etc. Você também pode ouvir o programa aqui.
Começa amanhã, no CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Centro), a mostra "Luz, câmera, música!: Cineastas compositores", que vai exibir 14 filmes de diretores que compõem suas próprias trilhas sonoras. São sete diretores de diferentes nacionalidades e ritmos: o bósnio Emir Kusturica, o americano Hal Hartley, o espanhol Alejandro Amenábar, o alemão Tom Tykwer, o inglês Mike Figgis, argelino Tony Gatlif e o brasileiro Carlos Reichenbach. Do Carlão passam "Extremos do prazer" e "Alma corsária" (foto). A programação completa da mostra, que fica em cartaz até o dia 17, está aqui. Ingressos a R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia, válida para estudantes, professores, correntistas do Banco do Brasil e maiores de 65 anos). Em Brasília a mostra acontece de 19 a 31 e em São Paulo, de 20 a 31.
O quarteto LiberTango lança hoje, às 19h, o álbum "Cierra tus ojos y escucha" em show gratuito no Allegro Bistrô, da Modern Sound (Rua Barata Ribeiro, 502, Copacabana). Formado pela pianista argentina Estela Caldi, pelo saxofonista e flautista Alexandre Caldi, pelo acordeonista e pianista Marcelo Caldi e pelo cantor Marcelo Rodolfo, o grupo, que há 12 anos reinventa a obra do bandoneonista e compositor argentino Astor Piazzolla, vai interpretar temas como "Invierno porteño", "Escolaso", "Siempre se vuelve a Buenos Aires" (Piazzolla e Eladia Blazquez), "Alguien le dice al tango" (com letra de Jorge Luis Borges), "La muerte del ángel" e a faixa-título, com participação do baixista André Santos. Reservas e informações pelo telefone 2548-5005.
Funciona mais ou menos assim: o prefeito tem, digamos, R$ 100 mil para gastar no São João. Contrata três bandas de fuleiragem music – ou forró eletrônico –, a R$ 30 mil cada, para tocar na cidade. Com os R$ 10 mil que sobram, ele enfeita a cidade e ocasionalmente paga as atrações locais. De bolsos forrados, o pessoal das bandas demonstra a sua gratidão sem o menor constrangimento. No bar onde eu estava ontem, aqui em Vitória de Santo Antão (PE), uma tela de plasma mostrava um show dos Aviões do Forró em Estância, Sergipe. O cantor do grupo vez por outra convidava para subir ao palco o prefeito Ivan Leite e o senador Albano Franco, ambos do PSDB – o DVD vira peça de campanha eleitoral bônus. Qualquer tentativa de se ouvir um som diferente é soterrada por toneladas de decibéis. Quando acaba a festa no palco, continua nos bares e restaurantes: parece ser obrigatório tocar só este tipo de música na região. E dá a impressão de haver uma disputa entres os estabelecimentos locais para ver quem tem o som mais potente. Assim vão se descaracterizando e uniformizando as festas juninas, vão se destruindo tradições.
As micaretas transformaram praticamente todos os carnavais do Nordeste em cópias de carnaval baiano – inclusive o baiano. Os conjuntos de fuleiragem music geralmente vêm do Ceará e, como os trios elétricos da Bahia, são criados por empresários - que são donos de emissoras de rádio e de gravadoras -, não por músicos. A maioria tem Forró no sobrenome, mas de baião, xote e xaxado só têm as letras de duplo sentido e a sanfona - que às vezes dá para ouvir entre os teclados eletrônicos e os metais. O ritmo que eles tocam, na verdade é uma mistura de axé music e breganejo. Geralmente no palco há um casal de cantores, ambos com vozes muito estridentes, luzes em profusão e bailarinas seminuas exibindo os seus dotes. Se alguém lucra com a pirataria são eles: os camelôs são uma forma de difusão mais eficaz do que o rádio. Praticamente todos têm TVs para exibirem seus DVDs, e ambulantes andam pelas cidades empurrando seus carrinhos de CDs com som ensurdecedor. Não há escapatória.
Cada um ouve o que quer, é claro; o problema é obrigar o outro a ouvir o que não quer. Isso é totalitarismo cultural. Essas ondas costumam ser passageiras - a próxima pode vir do Maranhão, de São Paulo ou do Rio Grande do Norte -, mas os seus efeitos devastadores, não. Por onde elas passam, resta apenas terra arrasada.
Estão abertas as inscrições para o curso Aspectos da Cultura Negro-africana na Música Brasileira, ministrado por Leonardo Sá, pianista, compositor, pesquisador e coordenador educacional da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira desde 2002 e professor da Fundação Getúlio Vargas e da Escola de Música Villa-Lobos. As aulas serão divididas em oito encontros, às segundas-feiras (entre 7 de julho e 1º de setembro), das 19h às 21h, no Centro Cultural Municipal José Bonifácio (Rua Pedro Ernesto, 80, Gamboa). O curso é gratuito. Mais informações pelo telefone 2233-7754. O Centro Cultural Municipal José Bonifácio promove mais três cursos sobre cultura negra no Brasil em breve: Arte, África e Brasil, com Roberto Conduru; Literatura Afro-brasileira, com Fernanda Felisberto; e Culto à Ifá, com o babalaô nigeriano Afixe.
No LapaLounge desta semana, destaque para a Travis Sullivan's Bjorkestra, orquestra que transforma em jazz as músicas da Björk. Mas também rola The Zutons, grupo de Liverpool que está lançando seu terceiro álbum, "Always right behind you" e Say Hi To Your Mom, banda sueca que chegou ao seu segundo disco, "Here comes the wind". O convidado desta vez é Marcelo Larrosa, ex-baixista do Hojerizah, e a indefectível Srta. A faz a agenda cultural. A produção e a apresentação são dos DJs Jorge Luiz e Brant. Também dá pra ouvir e baixar o programa aqui.
Jacaré na Débora Secco anda no programa LapaLounge desta semana. A seção Tirando a Poeira vem de Arrigo Barnabé e suas "Diversões eletrônicas", do antológico disco "Clara Crocodilo". Também são destaque no programa dos DJs Jorge Luiz e Brant e da Srta. "A" a banda inglesa The Draytones, a americana Clare & The Reasons e a suíça The Young Gods. O pessoal manda avisar que, caso você tenha alguma dificuldade para baixar o programa, envie um e-mail para lapa.sucupira@gmail.com informando se seu equipamento é Mac ou PC, que eles te dizem o que fazer.
Quem perdeu o concerto de lançamento do excelente primeiro CD da AcariOcamerata, do Selo Rádio MEC, tem mais uma chance de ver a orquestra em ação amanhã, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca (Rua Conde de Bonfim, 824, Tijuca). Os ingressos custam R$ 20, com meia-entrada (R$ 10) para estudantes e maiores de 65 anos.
Nascida do Centro de Ópera Popular de Acari, a orquestra AcariOcamerata lança o seu primeiro disco amanhã, a partir das 20h, na Sala Cecília Meireles (Largo da Lapa, 47). No repertório, obras de Carlos Gomes, Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Radamés Gnattali, Jacob do Bandolim, Egberto Gismonti e Bach, que entra no roteiro com a Fuga da Suíte nº 2. A AcariOcamerata é formada por André Paiva (flauta), André Cesari (bandolim), Bruno Carvalho (cavaquinho), Eduardo Duque (cavaquinho), Iuri Nascimento (viola Caipira), Edmilson Abreu (viola caipira e violão), Carlos Oliveira (violão), Davi Menezes (violão), André Gomes (baixo acústico), Sílvio Sanuto (percussão) e Caio Cezar (direção artística e regência). O violoncelista inglês David Chew, os flautistas Antônio Carrasqueira, David Ganc e Mário Sève, o violoncelista americano Eugene Friesen e a violinista e rabequeira Ana de Oliveira também participam do disco. Sobre ele, escreveu Egberto Gismonti: "Esse CD mostra uma profunda percepção e conhecimento das muitas influências que nos construíram e nos sustentam como seres miscigenados, mestiçados ou misturados".
O Nine Inch Nails de Trent Reznor (à frente de Atticus Ross na foto) lançou "Ghosts I - IV,", seu primeiro álbum independente, na rede. No site da banda dá pra baixar de graça nove das 36 faixas do disco ou pagar US$ 5 por todas, mas há outras opções de compra para os fãs mais fanáticos que chegam a um pacote ultra-luxo que custa US$ 300.
Os crias dos infernos aí do lado, em foto de Marcio Roberto, são os Monstros do Ula Ula. Se você ainda não teve o prazer de conhecê-los, pode fazer isso no My Space, no blog deles, no Fotolog, no Orkut, ou no vídeo aí embaixo - tá mal gravado pra dedéu, mas foi o Kadu, ex-baterista deles, que botou no YouTube; também dá pra assistir ao videoclipe de "Babe Ula Ula" aqui. Ou ver os caras ao vivo amanhã, de graça (com Super Hifi e Os Gatunos), a partir das 18h, na calçada em frente ao no La Cucaracha Bazar e Galeria (Rua Teixeira de Melo 31, Ipanema, junto à Praça General Osório). Os Monstros do Ula Ula são Lucky Luciano (vocal), Diba Delgado (guitarra e vocais), Kalango (guitarra e vocais), o formidável Formigão (baixo) e Pedrosa (bateria).
O Autoramas, cujo último álbum, "Teletransporte", figurou na maioria da listas dos melhores de 2007 e foi eleito o melhor do ano pela Trama Virtual, está de site novo, e ele é bem bacana. A banda de Gabriel Thomaz, Selma e Bacalhau toca no dia 1º no Uruguai, no Grito Rock Montevideo, ao lado de The Supersónicos e Sonido Pop, no Parque Rodo, com entrada franca.
Com apresentação e produção dos Djs Jorge Luiz e Brant e notas culturais da Srta. "A". Os destaques do programa desta semana são Foster Kids, Earl Greyhound e Les Savy Fav, mas rola também Pixies, Bloc Party, Virna Lisi, Fernanda Takai, Yeah Yeah Yeahs, Future Of The Left, The Veras, Future Clouds & Radar e mais. Ouça aqui.
Diz a lenda que o italiano Luca Prodan (o carequinha da foto acima) foi colega de turma do príncipe Charles quando estudou na Escócia. Conta-se também que ele foi morar na Argentina para tentar se curar do vício da heroína - porque, até hoje, não é uma droga muito fácil de se encontar deste lado do Atlântico -, mas que em Buenos Aires descobriu as delícias da genebra, bebida que acabou o levando à morte precoce, aos 34 anos, em dezembro de 1987, de cirrose. Verdade ou não, fato é que ele se tornou figura mítica do rock latino-americano, como vocalista e principal compositor do Sumo, até hoje o melhor grupo do continente, inexplicavelmente pouco conhecido por aqui - enquanto a gente tem que aturar malas como o Charly García.
"Heroina" ao vivo
Vindo de uma família abastada e problemática, nascido em Roma, filho de um italiano especialista em cultura oriental (o nome da banda vem da luta japonesa sumô) e de uma escocesa, Luca se educou num dos melhores colégios da Europa, o Gordonstown College. Viveu os anos 70 na Inglaterra, onde já arranhava uma guitarra nos pubs locais, e em 1981 se mudou para a Argentina. O Sumo foi criado no mesmo ano e a sua formação clássica trazia, além de Luca, Alejandro Sokol (bateria), Diego Arnedo (baixo), Germán Daffunchio (guitarra) e Roberto Pettinato (saxofone). Em outubro de 1983 a banda grava um cassete independente, "Corpiños en la madrugada", reeditado em disco em 1992. O primeiro álbum, "Divididos por la felicidad", saiu em 1985. No ano seguinte é lançado o seu melhor disco, "Llegando los monos", trazendo a comovente "Heroina" e o hit "Estallando desde el oceano" (essa do videoclipe muuuuito anos 80 aí embaixo), além de "TV caliente", a minha favorita, uma ode à atriz italiana Virna Lisi. O último álbum oficial foi "After chabón" (1987), mas a CBS ainda lançou o póstumo "Fiebre" (1988). Todos são ótimos, mas era ao vivo que o Sumo era o sumo. Quem viu a banda no palco (valeu, Paola!) garante que o carisma de Luca fazia o Renato Russo virar roadie.
Há 20, 30 anos, os artistas tinham um enorme problema para vender sua música, cativar um público e se tornar "comercializável". Eles ficavam nas mãos das grandes gravadoras que dominavam o mercado fonográfico. Não existiam selos independentes, homestudios nem muita menos a Internet. Hoje, apesar do advento dessa enorme rede de contatos, o artista muitas vezes não sabe nem por onde começar. Dificuldades que se foram com o tempo ganharam uma nova roupagem a serem superadas. A indústria se tornou mais versátil, mas nem todos ainda conseguiram enxergar essa versatilidade e aliá-la com suas propostas. Há mercado para todos, do popular ao extremo experimentalismo. Ouvimos dizer que músico vive é de shows, pois ganhar dinheiro com a venda de CDs é muito difícil, e quando o assunto é ganhar dinheiro na Internet a imagem negativa da rede é a maior vilã da história. Não é de se assustar, pois a Internet apesar de ter um significativo aumento no número de usuários a cada ano que se passa, ainda é uma ferramenta nova e nem todos a tem realmente como uma verdadeira ferramenta que aliada ao trabalho pode ser motivo de grandes avanços nessa conquista.
Observam-se experiências feitas, como o caso da banda Radiohead (foto), que rompeu o contrato com a gravadora e decidiu seguir carreira independente. Agora lançam seus discos no site oficial onde disponibilizam o álbum completo. Lá tem opção que o fã pode pagar ou não qualquer valor para ter acesso a obra. Grande parte dos downloads realizados teve uma forma significativa de pagamento, mostrando que o público se sensibilizou com essa atitude. Existem outros exemplos, como alguns grupos de música experimental da Alemanha que decidiram fazer uma espécie de mapeamento dos fãs que acompanham a banda através de um site de cadastramento. Com isso descobriram que mesmo tendo um público relativamente pequeno, estes fãs sempre vão existir e dar apoio, sendo indo aos shows, comprando discos e até financiando novos projetos do grupo, impedindo a extinção do mesmo. Isso mostra algumas estratégias tomadas para se tentar reverter à crise atual, e até mesmo criar condições de sustento para o artista. Não existe uma fórmula mágica para se ter êxito nesse mercado, mas somente analisando a Internet como um fator aliado chega-se a infinitas possibilidades de se obter um bom resultado. A grande questão é: como usar bem essas ferramentas, como a Internet, o homestudio, os selos?
Muito se diz sobre a popularização dos homestudios, que se tornam cada vez mais baratos e acessíveis. Mas sabemos que apesar do surgimento de inúmeros equipamentos, dos preços e condições de pagamento estarem sempre se adaptando ao bolso do consumidor, esse barateamento ainda não é o suficiente para ser um fator que todos possam de fato tê-los em suas residências. O acesso a um estúdio caseiro dá uma liberdade infinita quando o assunto é produção. O artista passa a ter uma espécie de laboratório onde nascerão as obras. É como para um pintor ter o seu atelier. Diversos programas também surgiram para facilitar esse contato do músico com as técnicas de gravação, mixagem e masterização, tornando possível assim uma maior intimidade com todo o processo de criação.
Os selos, por sua vez, se tornaram um grande atrativo para o arista. É bom observar que cada selo oferece uma determinada função no mercado. Existem os que têm seu foco voltado para distribuição, outros para produção e alguns que não servem para nada também. Ter um selo é algo que pode ajudar o artista a ter resultados mais concretos, como uma boa produção do disco, a distribuição do mesmo, mais contatos e mais shows, divulgação na mídia, etc.
Tudo isso mostra que para se chegar a um nível aceitável no mercado, o músico precisa passar por várias fases que faz com que suas obras de fato estejam prontas a serem vinculadas para o consumo do público. Por isso há uma grande necessidade da valorização de todo esse processo produtivo, onde observamos que não basta simplesmente chegar num estúdio, gravar e "jogar" na Internet sem compromisso algum o material produzido. Pelo contrário, há todo um investimento, seja de caráter financeiro, espiritual, tecnológico, que faz da música e toda expressão artística um bem a ser preservado e valorizado. E para que esse ciclo não morra, é preciso que a comercialização da arte através da Internet seja algo de fato a ser consolidado e entendido como uma necessidade por todos aqueles, seja o público consumidor ou os que produzem, que desejam ter essa rede de contatos como aliada. A comercialização por essa via é consideravelmente mais barata e acessível que a atual venda que as grandes empresas dominadoras do mercado fonográfico impõem ao consumidor. Talvez more aí o alimento para outra indústria: a pirataria. Por isso devemos repensar em como viabilizar uma maior versatilidade nessa nova era, pois se a arte morrer aqui, a próxima não haverá.
*Arthur Moura é músico. Ouça aqui o seu novo disco.
O rapper carioca João Xavi acaba de lançar na internet seu novo disco, "Alta-fidelidade". A proposta do trabalho, segundo ele, é fazer "um rap que foge dos padrões habituais, que arrisca o diálogo com a musicalidade brasileira e latina, trazendo temáticas positivas e novas abordagens nas letras". Nascido e criado em São João de Meriti, Xavi, que também é jornalista (colabora com os sites Rock Press e Overmundo), fotógrafo e historiador (é autor da tese "Da Tropicália ao Hip-Hop: Contracultura, repressão e alguns diálogos possíveis", disponível no site Bocada Forte) lançou seu primeiro disco, "Dias de luta, noites de amor", no ano passado. Dá para baixar "Ata-fidelidade" no link http://www.4shared.com/file/24290242/2eae1227/joao_xavi_-_alta_fidelidade.html ou pedir o CD pelo e-mail xjoaox@gmail.com.
Zémaria não faz música pra gringo ouvir e talvez isso explique o sucesso que o grupo capixaba está fazendo lá fora. Vindos de mais uma turnê pela Europa (dá pra ver no YouTube o documentário feito lá pela produtora Mirabólica) Nego Léo (bateria), Marcel Dadalto (sintetizadores, guitarra e programação), Michel Sponfeldner (baixo) e Sanny Lys (voz e efeitos) lançam seu novo CD, "11 trax". Além de músicas do EP "Aqui não tem silêncio", lançado exclusivamente no site da banda, o disco traz quatro faixas inéditas, "Air talk", "Laser eyes" (videoclipe abaixo), "Buenas" e "Someone else". Sanny agora também canta em inglês, para facilitar a vida dos fãs estrangeiros. Por enquanto só dá pra comprar o álbum pela internet, mas Marcel promete que em breve ele estará nas melhores casas do ramo. Eu bati um papo com o camarada, que também está fazendo sucesso além-mar com o seu projeto-solo Monk Ponk.
Como você definiria o som do Zémaria? Rock de computador. Engraçado que muita gente acha que a gente é DJ porque mexe com música eletrônica. Na real, a nossa formação é totalmente musical. A gente já teve várias bandas de rock, pós-punk, hardcore... Só que dos estúdios de ensaio e das garagens a gente foi pra dentro de um quarto com um computador. Vendi a guitarra e comprei um sintetizador.
O novo disco tem músicas em inglês porque vocês estão de olho mercado exterior? De certa forma sim. A gente tem tocado bastante na Europa. Já foram aí três turnês que somam mais de 70 shows lá fora. E lá fora, se a gente canta em português é rotulado de world music na hora. E world music não é a nossa. A gente tá mais pro electro-rock... algo assim. O legal do inglês é que ele funciona em todos os países que a gente vai. Na Alemanha, na França e até em Portugal.
Como está sendo feita a distribuição do disco aqui e no exterior? Algum selo vai cuidar - ou está cuidando - disso lá fora? Como comprar o disco aqui no Brasil? Estamos apostando na distribuição online. Temos um empresário na Alemanha e em Portugal cuidando disso. Aqui no brasil a gente prensou mil cópias em CD que acabaram em semanas com vendas nos próprios shows da banda. Vamos para a segunda prensagem e ai sim vamos vender nas lojas de todo o Brasil.
E o disco de vinil do Monk Ponk? Eu fiz uma página no Myspace e um DJ famosinho lá da Alemanha ouviu a música lá, não sei como, e entrou em contato comigo. Resultando daí o lançamento em vinil de três músicas minhas. É um projeto mais calminho, e mais eletrônico, cabeçudão. É uma ressaca do meu trabalho com o Zémaria. Acho bom ter projetos paralelos porque eles ajudam um ao outro.
Como foi a última excursão pela Europa? Onde vocês tocaram? Que tipo de lugar Boates, clubes, festivais? Foi a melhor de todas. A gente viajou com amigos que são videomakers e registraram toda a viagem. Acabamos fazendo um programa de TV sobre as aventuras de uma banda brasileira na Europa. Da pra ver no YouTube. A gente tocou em várias cidades da Alemanha, Portugal, França e Inglaterra. A receptividade é ótima. Principalmente porque a gente costuma viajar sempre no verão, e os europeus estão sempre muito pilhados nessa época do ano. Tocamos em todo tipo de lugar: em praias, campeonato de surf, clubs hypados, festivais, ao lado de grandes artistas como Jamie Lidell, Señor Coconnut, Cold Cut, Yellowman... e tambem tocamos em alguns inferninhos clássicos.
Como a galera costuma receber vocês lá fora? Algum desavisado acha que é um grupo de pagode - por causa do Brasil e do nome Zémaria? Hahahahaha... não, isso nunca aconteceu não. Até porque as atrações lá são muito bem explicadas para o público.
O que vocês gostam de ouvir? Dub, reggae, jazz, drum 'n' bass, hardcore, rock, minimal, house music, IDM... e as músicas que saem aqui no meu estúdio.
E como estão os projetos-solo? Além do Zémaria, eu toco na banda Telepathique, tenho o meu projeto Monk Ponk e o Hot Tape com meu amigo DJ Periférico, de São Paulo. Tenho um estúdio, o Asimov, onde produzo minhas coisas e trabalho como sound designer fazendo trilhas para TV e cinema. Músico é malabarista, tem que se virar de várias formas.
A cantora gaúcha Alexandra Scotti está lançando o seu quinto CD, "Irresistível". Alexanda assina sozinha oito das dez faixas - as execeções são "Ouvir criança", feita em parceria com Adriana Deffenti, e "Meu esquema", de Fred 04. A canção-título, de gostosa levada pop, faz jus ao nome. No site da cantora dá para ouvir.
Uma das boas novas bandas de rock do Rio, a Homocinetica está com novo site no ar, http://www.homocinetica.com/. Além de fotos e informações sobre o grupo da baixista e cantora Alissa Cibiac, do guitarrista e cantor Teo Fernandes e do baterista Carlos Fonseca, dá pra ouvir lá músicas do seu primeiro CD, como a candidata a hit "X-Cabaret".